O novo cruzeiro da ABVC, Costa Fluminense, idealizado pela atual diretoria e realizado este ano foi um sucesso. Dos 27 veleiros inscritos, 26 partiram do Bracuhy após um maravilhoso café da manhã no Bowteco (leia-se Lourdes). A flotilha dirigiu-se à Ilha Grande, onde pernoitou em Palmas para sair por volta de meia-noite com destino ao Rio e Janeiro. O objetivo foi levar quem nunca tinha ido ao Rio, navegar à noite e, claro, ver os fogos da passagem de ano.
A ida foi boa e apesar de pouco vento, e, alguns momentos foi possivel “viver da vela”, até desligando o vento de porão. A flotilha chegou com o amanhecer e dirigiu-se para o
Jurujuba Iate Clube que como sempre, nos recebeu de braços abertos. O clube ficou à disposição dos velejadores, com piscina, churrasqueria e espaços à vontade. No almoço rolou um belo churrasco.
Como todos queriam passear pela cidade – dita – maravilhosa, a galera dispersou-se e formou grupos de amigos que foram passear “pelaí”: bondinho, lojas do centro, Cristo, almoço em Santa Teresa (essa eu fui e recomendo), além de terminar a tarde com docinhos & otras cocitas na Confeitaria Colombo, um lugar tradicional e mágico que relembra séculos de tradição, chapéus, cartolas e gravatas. Hoje não mais. A turistada invade de chinelo de dedos, bermudão e camiseta. Mas a comida… maravilhosa…
O ponto alto do Costa Fluminense foi assistir os fogos na praia de Icaraí, em Niterói, próximos das balsas onde ficaram os fogos. Os veleiros ancoraram por lá, fizeram suas ceias e brindaram. À meia noite em ponto mais de 20 minutos ininterruptos de show pirotécnico de tirar o fôlego e guardar na memória para sempre. Muito bom ! A flotilha dormiu por lá mesmo…
Dia seguinte, já aclimatados às terras cariocas a flotilha seguiu para outro local tradicional: a Ilha de Paquetá. Com suas ruas de terra (vá lá, quando chove, barro…), mas sem carros ou motos, é uma viagem no tempo. Anda-se à pé, aluga-se um bike ou charrete para conhecer as casas antigas, umas mais que outras. Da casa de José Bonifácio (não o da Globo, mas o de D. Pedro) à casa onde foi gravada a novela “A Moreninha”, nesse lugar misturam-se histórias e estórias, contos e lendas. A placidez merece a visita. 
Outro ponto alto é a cozinha do Iate Clube de Paquetá. Com pratos baratos, o cozinheiro é um primor no sabor e capricho do trivial. Vale um peixe à belle moniére que serve 3 por meros R$38,00. Cervejas e caipirinhas completaram o clima de “vamos ficar mais um dia por aqui”. Mas a chuva que lavava as ruas e nossos veleiros nos mandaram para a próxima etapa da viagem: pernoitar nas águas calmas da enseada da Urca, em frente ao cacino, onde esperamos o horário de zarpar de volta para Ilha Grande. Desta vez, saímos 5 da matina com uma maré vazante que nos mandou rapidinho para fora da ainda poluída baía da Guanabara. Logo uma corrente bem forte brecou os veleiros. E não adiantou muito aterrar. A coisa estava braba. Mesmo com bom vento de través, as embarcaçoes não avançavam mais que 4 a 5 nós em média. Nosso destino: Saco do Céu, Ilha Grande. 
Lá, um belo prato no Coqueiro Verde, e na manhã seguinte zarpe para a Enseada do Sítio Forte, em Ubatubinha, onde Lelé e Creuzinha nos aguardavam com peixe, lula e outros acessórios comestícios e beberídicos, os primeiros por conta da ABVC e os segundos por conta de cada fígado ou do compromisso de sair para seu porto de origem, afinal nem todos podiam ficar mais… A partir daí foi cada um por si. Alguns ficaram outros partiram. Mas todos certamente vão lembrar para sempre dessa viagem em turma – flotilha como preferimos – onde amizades nascem e outras solidificam. 
A próxima? Certamente o Costa Leste, do Rio à Bahia para a maioria, e do Rio para o Caribe ou Europa para alguns felizardos que sobem e só voltam sabe Deus quando. E você, vai ou não vai?



















