5º Encontro da Vela Caipira em São Manuel
Enviado em 15 de Setembro de 2009
Publicado por ABVC | Enviar por e-mail
| Hits para esta publicação: 1254

O 5º Encontro da Vela Caipira foi realizado no Clube Água Nova, nas proximidades da cidade de São Manuel, centro oeste do estado de São Paulo, à beira da represa de Barra Bonita (rio Tietê) no final de semana de 12 e 13 de setembro, com a presença de mais de 80 pessoas. O principal objetivo de mais essa iniciativa da Diretoria do Interior da ABVC foi a difusão da vela na região da represa de Barra Bonita.

Lá, rolou muito bate papo, palestras, churrasco, cerveja e velejadas.

Para a criançada e famílias, cavalo para passeio, banho de piscina e muita diversão.


Quem quis pode hospedar-se num dos confortáveis chalés com chuveiro, cozinha completa e televisão (afinal era o último capítulo da novela e no dia seguinte tinha Fórmula 1…)…

…ou ainda jogar bocha pra relaxar. E como o clube fica no meio de um imenso canavial de uma usina (são mais de 17 km de uma excelente estrada no meio da cana), ainda deu pra chupar cana no pé… eita coisa boa, sô !

A Marinha do Brasil, que apoiou o evento, teve sua palestra na voz do sub-oficial Sodré e do Sargento Leônidas, da Capitania Fluvial do Tietê-Paraná. Eles discorreram sobre a segurança na navegação.

O destaque foi o efetivo pequeno para tomar conta de uma imensa área. São 37 homens para 501 municípios… Tirando o comando, os homens em outras operações, restam 18 para fiscalizar esses 501 municípios…

Depois foi a vez de Fábio Salla, um Engenheiro mecatrônico cuja idade não revela a importância e o progresso obtido nos negócios: ele constrói com seu pai, os veleiros Flash (135, 195 e 205), além de modelos específicos como o Poli 19 para deficientes físicos ou ainda catamarãns em parceria com a indústria naval da Austrália.

Também foram eles que fizeram algumas peças do veleiro de Izabel Pimentel (6.5 mini transat), como a quilha em bulbo e o leme. O segredo ? Fábio revelou que ao invés do tradicional método de construir um plugue (aquele modelo que vai servir para fazer as formas da produção), ele faz moldes em isopor de alta densidade através de usinagem CNC.
O detalhe é que ao invés de importar um robô, Fábio construiu o dele. “Sem peça de reposição ou manual, mas a gente conserta rapidinho quando dá problema”, explicou sorrindo.
O Professor Fábio Reis, que veio de Campinas para prestigiar o acontecimento, também falou sobre navegação astronômica e prometeu:

em breve um curso para a ABVC só de uso prático do sextante, com aulas práticas no planetário !
Na esteira da construção, vieram, ainda as palestras de Andy Goldstein (Mod Yachts), que falou de seu sucesso (e que estava por lá representado pelo veleiro Bishop), um Mod 23,

além da história de sua vida na construção; e Flávio Antônio Rodrigues da Flab Construção Artesanal de Embarcações, que falou de seu método e a construção dos projetos consagrados do mestre Cabinho.

Já Arnaldo Paes de Andrade, fabricante das velas Cognac, palestrou sobre a proposta de um projeto de veleiro popular, o “Fractal 13”,
que aparece unindo diversas soluções de problemas comuns em monotipos de projetos antigos…

…como Pingüim, Laser e Dingue, no sentido de aprimorar bordas altas (dificuldade de retorno em caso de virar o barco), ou a saída da água embarcada, entre outros.
Ainda falou o velejador Werner, que construiu seu próprio veleiro e agora quer leva-lo para Paraty…

(Seja bem-vindo Werner !)
A grande novidade do encontro ficou por conta do anuncio da 1ª Expedição Tietê-Paraná, na qual pelo menos 8 veleiros sairão da região de Barra Bonita e subirão o Tietê através de suas barragens até o encontro com o rio Paraná.

Paulo Fax (vice-pesidente da ABVC Interior), Paulo Abreu (Coordenador Adjunto) e Francisco Piza (ex-vice-presidente no mandato anterior), explicaram o projeto e anunciaram a criação para breve, de um banco de tripulantes e comandantes que servirá para o planejamento das tripulações dos veleiros envolvidos na viagem. Assim, sempre que houver a impossibilidade de alguém continuar – já que a distância e portanto o tempo envolvidos são grandes – haverá essa solução.

Alguns dos veleiros já fizeram adaptações nos mastros, devido às passagens pelas redes de alta tensão ou pontes no percurso, cuja altura média é de 5 metros (enquanto a dos mastros é de 7…).
Outra providência está sendo a adaptação das cartas náuticas realizadas por Francisco Piza. Embora a marinha possua cartas do trecho da hidrovia, elas limitam-se ao canal e não contemplam os afluentes, arredores e outros locais de interesse. Assim, a partir das cartas do IBGE, Piza está adaptando para a náutica e facilitando o futuro trabalho dos comandantes. É a força da vela do interior mostrando seu trabalho: nóis é jeca mais é jóia, já diria a música… Pois é, depois desse fim de semana confesso: sou mais jeca que antes !
Em breve mais detalhes sobre a Expedição Tietê-Paraná !
Para saber mais:
Marinha (Capitania Fluvial Tietê-Paraná): https://www.mar.mil.br/cftp
Flash: http://www.veleirosflash.com.br
Flab: http://www.flab.com.br
Veleria Cognac: http://www.velascognac.com.br
Mod Yachts: http://www.modyachts.com.br
ABVC: www.abvc.com.br
Fábio Reis: http://www.escolanautica.com.br
Fico bastante contente em ver a concretizaçao da uniao e desenvolvimento dos velejadores com o fortalecimento da vela no interior do estado.
Parabens ao FAX que incorporou o espirito da coisa desde o nosso trabalho no VELAS DO JAPI e ao PIZA, pela incansavel dedicaçao e inspiraçao.
Parabens em especial a ABVC, por reconhecer o potencial da vela no interior de SP , e contribuir decisamente para desenvolve-lo.
BONS VENTOS A TODOS
FRANCO