Pandiani por Pandiani…
Enviado em 6 de Outubro de 2009
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Foram 50 mil quilômetros velejados em pequenos catamarãs sem cabine ao longo desses últimos 15 anos. Velejei da Antártica à Groelândia e nessa última viagem atravessei o Oceano Pacífico desde a costa chilena até a Austrália. Muita gente me pergunta como e por que decidi largar a minha vida de empresário da noite (Aeroanta, Clube BASE, Lounge, Olívia) e me lançar ao mar, realizando uma série de viagens longas por lugares pouco explorados em uma jangada high-tech.
Trabalhei por 16 anos na noite, primeiro como barman e depois montando casas noturnas e as administrando – atividade extremamente cansativa e desgastante, por todas as circunstâncias do negócio. Bebida alcoólica, jovens testando seus limites, drogas e má educação em geral. Aprendi muito nesses anos e acho que esse aprendizado foi fundamental para levar adiante minha decisão de me tornar um velejador profissional. Para isso, precisava de uma forte decisão interna e sabia que essa mudança traria benefícios, mas também um custo pessoal alto. Já tinha 36 anos quando decidi mudar e teria que construir algo a partir do zero.
O que me ajudou foi a confiança que tenho nas decisões que tomo quando ouço meu coração, mas não sabia bem onde queria chegar; simplesmente, no primeiro momento, senti que tinha que partir.
Hoje, vejo que a maior mudança foi ter dado esse tempo para mim. Gosto muito de viver em São Paulo, mas vejo o quanto é importante ficar por algum tempo fora daqui.

Durante as viagens, vivo o oposto da vida urbana em quase tudo. O barco não tem cabine, logo, velejo sem proteção, durmo mal na maioria das noites, fico exposto à chuva, ao frio e ao calor. Viajo muitas vezes por lugares ermos e, na maior parte do tempo, falo pouco. Não leio jornal e nem fico sabendo de nada sobre que acontece no mundo. Não compro absolutamente nada e o que consumo é o mínimo para ter energia para velejar.
O que percebi depois de algum tempo é que esse afastamento me fez questionar o nosso modo de vida: o consumo exagerado, os maus hábitos alimentares, a corrida contra o tempo e o desperdício de recursos, como água, energia elétrica e alimentos. Como a vida no barco é restrita do ponto de vista de espaço, quando volto ao Brasil depois de uma temporada fora, fico assustado com os hábitos e quase me esqueço de que também vivia assim.
Nessa última viagem, velejei muitos dias sem ver terra – para ser preciso, foram 71 dias – e como ficava horas e horas no leme olhando para o horizonte, acabava entrando quase em estado de transe. Os pensamentos iam longe e depois de um tempo percebi que o oceano de dentro é muito maior que o oceano de fora. Esse afastamento da vida urbana, que me poupou do massacre diário da mídia, me colocou em contato com a vida verdadeira, pois, quando cessaram os estímulos visuais e auditivos, só sobraram o mergulho interno e uma nova fronteira, a fronteira do perceber e sentir.
Pensava que ia descobrir muito a respeito do meu companheiro de barco, Igor Bely, mas percebi que a pessoa com quem mais convivi na vida e menos conhecia era eu.
Esse estímulo foi o melhor que a vida pode me oferecer e, depois de tanto buscar pelo mundo afora, percebi que tudo estava aqui mesmo, dentro de mim.
Quando voltei, decidi escrever O mar é minha Terra para registrar tudo o que vivi pelas Américas e pelo Pacífico. No livro, o leitor conhece desde o interior do Bye Bye Brasil, nome do meu barco, até a Polinésia. Durante as noites em mar aberto, nem sempre conseguia dormir, e minha memória trazia à tona episódios de outras viagens. Assim surgiu a ideia desse trabalho, no qual o leitor é convidado a navegar nas minhas lembranças. A viagem vai acontecendo: do lado de fora o pequeno catamarã corta a imensidão azul; do lado de dentro exploro a imensidão desconhecida. Esse foi o jeito que escolhi para contar tantas histórias, falar das coincidências, dos encontros marcantes, das fortes experiências e dos lugares inesquecíveis pelos quais passei. (Texto: Beto Pandiani)
Acompanho as viagens do Betão desde a primeira. Torço muito porque pelo pouco que o conheci pessoalmente ainda nos tempos do Troféu Holliwood e pelos relatos dos amigos, sei que alguém que merece cada pedacinho do sucesso que alcançou.
Mas ainda não consegui achar o último livro. Perdi o lançamento e nas livrarias que procurei a resposta era que já estava pedido mas ainda não tinha chegado.
Espero dar mais sorte na próxima busca
Abraços
Fala Luca, muito obrigado pelas palavras. O Festival Hollywood faz tempo. O livro O mar é minha Terra pode ser encontrado nas Fnacs ou Cultura ou Saraiva. O mesmo pode ser pedido pela internet.
grande abraço
Beto Pandiani