Entrada da palestra e distribuição das carteirinhas
Em uma noite agradável e chuvosa, mais de 50 pessoas compareceram à palestra de Thierry Stump ontem, quinta dia 20.
Antes da palestra, sanduíches e refrigerantes animaram os que chegaram cedo. Muito bate papo – claro, sobre vela – e descontração.
Como sempre, o início foi retardado um pouco (cerca de meia hora), para que as pessoas pudessem vencer um dia normal de trânsito – e portanto caótico – de São Paulo, a terra da garoa promovida agora a terra da chuva.

Quem achou que a palestra seria árida e técnica, enganou-se. A palestra foi muito agradável. Thierry é uma pessoa muito calma, de fala mansa e profundo conhecimento técnico. Mesmo assim, sua abordagem é popular o suficiente para que mesmo leigos como este que vos escreve, pudessem aproveitar e aprender um pouco mais sobre cascos e barcos de alumínio. Sem nenhuma preocupação em “vender” seus projetos, ele acredita no desenvolvimento dos estaleiros brasileiros em ritmo lento. Comparando o Brasil com a França dos anos 70, quando havia uma competição ferrenha com a Inglaterra mas a construção náutica ainda era incipiente, lembrou dos tempos de Tabarly e Moitessier.
Uma das curiosidades abordadas por Thierry foi a precificação dos seus barcos de alumínio: feita em quilos. Você adquire quilos de alumínio que serão transformados em barco. 18 meses é o prazo médio de Thierry para um veleiro também médio.
Em outro momento interessante, após uma colocação da platéia que participou intensamente da palestra com perguntas a todo momento, Thierry comparou a produção de veleiros industrializados versus os artesanais, mostrando que estes últimos empregam muitas famílias durante muito tempo, ao contrário dos de produção em massa, embora a taxação de impostos seja a mesma para ambos, o que aumenta em muito os preços de veleiros que não são produzidos em escala. Explicou que os cascos de alumínio proporcionam um design interno diferente, melhor, pois não há a obrigatoriedade de anteparas ou divisões. “Você pode ter grandes espaços internos, salões, porque o próprio casco é a estrutura”, explicou. Para quem conhece o Paratii 2 de Amyr, sabe bem o que isso significa.
Ao ser perguntado sobre a possibilidade de pintura e tratamentos nos cascos de alumínio, Thierry explicou que sim, era perfeitamente possível, elogiando inclusive os materiais que usa, da Coninco, (patrocinadora deste blog e do site da ABVC) também presente na palestra na pessoa de Raymond, velejador e proprietário da indústria.
Presidente da ABVC, Claudio Santini, Thierry e Raymond
“O veleiro de alumínio nunca será o primeiro veleiro. Deve ser um veleiro pra quem tem planos de longo prazo e longas viagens”, explicou Stump (a pronúncia do sobrenome é st“Ú”mp mesmo e não st“Ômp…). E ele também acredita que não se deve ter um veleiro enorme. “No início vão 20 amigos, depois a mulher e os filhos. Depois só a mulher. E por último só o comandante mesmo…”, disse, sob risos dos presentes.
A palestra terminou por volta de 22h com um convite para visitar seu estaleiro, bastando para isso dar uma telefonada para que ele possa estar em um dia menos movimentado e dar atenção ao visitante. Conheça melhor o trabalho dele em seu site:
www.equipethierrystump.com.br